domingo, 30 de novembro de 2014

Explicações desnecessárias

Um blog pouco ativado enseja uma questão: Por quê?

No meu caso, o amor ao cinema, ao longo da expansão de minha misantropia, paralela à invasão urbana dos bárbaros incultos e mal educados (e os engarrafamentos dos trânsitos e da civilidade por eles trazidos!) ,  foi-se confinando à disponibilidade dos DVDs e a uma implicante indisposição de discutir os filmes assistidos senão comigo mesma. 

Que estranho impulso é este pois de criar tal blog? 

O fechamento das locadoras, minhas segundas casas ao longo dos anos, ante a precariedade de oferta de filmes de qualidade pelas redes de TV a cabo , parece me obrigar a voltar a frequentar salas de cinema. De quebra, baixar filmes da Internet não é sempre a empresa fácil que uma primeira tentativa afortunada me fez crer. Não dá para gastar muito de meu nobre tempo em tal atividade tecnológica furtiva.  Assim, já antevejo o desconforto de ter de aturar as luzinhas de celulares, conversinhas durante as projeções e outros primores similares ´que empanam a atmosfera atenta que deveria reinar nos cinemas ! Isto sem falar na empreitada de 'chegar lá'! 

Mas muito lentamente e a contragosto, vou-me habituando a esta ideia. 

Comparecer  a tais "salas de espetáculo" e elaborar minhas considerações para improváveis leitores/debatedores  cujas observações  convirjam ou mesmo se oponham criativamente às minhas são esforços paralelos.    

Não amo a ilogicidade de um blog desativado , daí esta minha postagem, obviamente mais para mim mesma. 

sábado, 4 de outubro de 2014

Magia ao Luar

Trata a trama de um ilusionista, adepto de desmascarar falsos médiuns que, devidamente induzido ao engano por um amigo competitivo, deixa-se empulhar por uma jovem farsante, por quem, malgrado tudo (ou mesmo por isto?), acaba por se apaixonar. Bem sessão da tarde!
Meio-dia em dia útil, horário de almoço e a magia é escapar dos compromissos para ir ao cinema. Gosto bom de matar aula em versão transgressiva adulta. 

Bem na vibe, o último filme de Woody Allen, bem feitinho e levinho...  
Levinho demais para nosso gosto... 

Ou se deve chamá-lo de irrelevante?


Em nossa memória, ainda mais no contexto de fuga vespertina do cotidiano duro, esperamos o Allen de tempos mais consistentes, da Rosa Púrpura do Cairo, onde o entrechoque de magia e realidade, termina com a constatação bela e sofrida da incompatibilidade dos dois mundos. Só assim, no seio de tal inevitável paradoxo,  a magia mantem vivo o seu poder de fecundar a realidade.


Já agora - e  há vários filmes Woody acentua uma escolha nesta direção - o negócio é diante da realidade desencantada apelar desvairadamente para impregná-la de ilusão ! Não importa que à custa da trapaça e da mentira, tudo é válido quando se trata de encobrir de purpurina o traçado singelo dos dias críticos. Ou seja...


 Ou será que só porque é uma fraude pode ser simpática?

Não se trata, em termos da análise densa a que aqui procedemos, de desvalorizar a capacidade de criar fantasia para suavizar tais contornos austeros da existência. Isto o ilusionista faz no registro de diversão que lhe é característico...






Se consciente deste registro, há uma face verdadeira que se despe de atavios ao fim dos momentos de representação.
E, para alguns de nós, o rosto despido de maquiagem, tem beleza similar àquele que, no palco, se faz projeções para  imaginações descontentes de sua condição de trafegar, por conta própria, entre os muitos mundos de que é feita a apreensão da realidade de cada um. 

Assim, Woody faz a defesa da mentalidade do entretenimento,  não mais como solução provisória e fadada ao insucesso, como n"A Rosa Púrpura" , mas como resposta a ser implantada, nas escolhas da vida , de uma política íntima de alienação. 


Temas potencialmente mais sérios como as raízes tortas da  afinidade amorosa, uma inconsequente traição da amizade, a natureza do encanto pseudomístico são tornados banalidades 'simpáticas' a favor de um mergulho desesperançado no "me engana que eu gosto". Ao mesmo tempo se trivializa qualquer pretensão de contato com o desconhecido.


Estou sendo sem dúvida exigente demais com uma "comédia 'levinha' , tipo matinê de televisão, sem pretensões. Aí jaz o nó do problema!


Não se vai ver Woody Allen para uma "comédia romântica-sessão da tarde na rede Globo". Ao menos, para alguns de nós, ir conversar com um cineasta de peso em uma 'sala de espetáculos' (enfrentando trânsito e horários apertados)  é uma experiência que provocaria um diálogo íntimo que incentivasse o voltar ao batente.

E ao sair da 'Magia ao Luar" ( melhor se diria 'à luz dos Refletores' ),  não obstante as apreciações óbvias ao bem feitinho técnico da película, o que se sente é Tristeza! 


terça-feira, 29 de julho de 2014

Bravura Indômita


Em domingo chuvoso e preguiçoso, em que ânimo não dá nem de telefonar para a locadora mais próxima, deixar os olhos correrem pelos programas  que os canais de filme  de TV a cabo oferecem é opção certeira para o cinéfilo misantropo.

No mesmo espírito e aproveitando a profusão de blogs existentes, escolho um deles para sumarizar abaixo o filme que me entrou pela retina, então, sem maiores estranhamentos.

(ver:
http://ofilmedopele.blogspot.com.br/2011/02/bravura-indomita.html)

Não ligo muito para o gênero western e a naturalidade, ali exposta, neste particular filme, da conduta vingativa, do prazer primitivo de assistir a enforcamentos como quem vai a festas, do elogio implícito do caráter 'firme viril' de personalidades claramente unidimensionais, sejam em corpos de homem ou de (jovem) mulher me seriam entediantes, senão repulsivas.

Mas um bom filme é um bom filme. Não há senão como apreciá-lo , tal a magia do cinema. Os atores são ótimos, a direção segura e as paisagens magníficas.Entra-se no enredo, inevitavelmente e a curiosidade sobre 'o que vai acontecer agora' garante a qualidade de um filme de ação.

E nossa vocação cinéfila é comprovada sem grandes traumas.


sexta-feira, 25 de julho de 2014

A Grande Beleza

O cinéfilo misantropo prefere apreciar a Beleza do cinema em seu recesso doméstico onde ela e ele, em mística comunhão, são preservados do contato com a mundanidade fastidiosa, seus celulares histéricos ensaiando competir com a luminosidade da tela, ruídos de pipoca e confeitos empanando a nitidez dos sons nobres emitidos pelos auto-falantes! Por vezes, pressionado pelo interesse urgente, tal  cinéfilo discreto e elegante arrasta-se até as saturadas salas de projeção, mas se a película merece sua aprovação, logo a baixa pela Internet para apreciá-la devidamente em seu refúgio civilizado ! Grande, então,  é sua Alegria e seu Conforto!


Desta safra neste ano faz parte o magnífico A Grande Beleza. Remetemo-nos a seu comentário postado em blog-irmão !
http://cariocasdamontanha.blogspot.com.br/2014_01_01_archive.html